Ideias visionárias e responsabilidade social e ambiental traduzem a trajetória de 142 anos do Grupo SCHOTT. Com esse DNA, a empresa alemã se tornou ímpar na criação de soluções avançadas de produtos e serviços em vidro para os mais diversos setores. No Brasil, especificamente na capital do Rio de Janeiro, está instalada a única unidade sul-americana da empresa para a fabricação de tubos farmacêuticos, que faz parte do braço SCHOTT Technologies Brazil e é líder no mercado latino-americano.
Conhecer toda essa história, missão e valores, assim como os processos produtivos e a linha de montagem da empresa, marcou a agenda do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, nesta quarta-feira (24/6). Ele realizou uma visita à fábrica da multinacional localizada no bairro de Pilares, na Zona Norte da cidade. Em uma área de 23 mil metros quadrados, a fábrica da SCHOTT produz anualmente 23 mil toneladas de tubos de vidro para diversas aplicações no setor farmacêutico.
O protagonismo da unidade, que conta com 250 profissionais, dá-se pela fabricação de uma matéria-prima diferenciada: o vidro borossilicato, criado por um dos fundadores da empresa no final do século XIX. Trata-se de um produto altamente técnico, voltado para o mercado industrial. Isso ocorre graças ao componente boro usado na composição; o vidro praticamente não se expande nem se contrai quando exposto a mudanças extremas de temperatura, como explicou Jörg Wagner, diretor-técnico da SCHOTT Brasil. Ao lado de Marcelo Cavagnero, HR Manager and Administration da empresa e presidente do Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais e Espelhos do Estado do Rio de Janeiro (Sindividros), Wagner recebeu o presidente da Firjan nas instalações da unidade.
“Estamos em uma fábrica extremamente especializada, que tem um produto técnico e absorve alta tecnologia. Além disso, ela exporta para diversos países e é a única do segmento no Brasil. Para o Rio de Janeiro, é uma satisfação, uma honra enorme. Isso eleva a nossa capacidade técnica e a nossa expertise nesse produto”, pontuou Caetano, que também conheceu o galpão onde funcionam os fornos, as esteiras e o maquinário de toda a cadeia.
"Um pilar estratégico essencial." Assim Marcelo Cavagnero definiu a visita de Luiz Césio Caetano à unidade. “Para nós, a parceria com a Firjan é fundamental; estar ao lado da federação nos dá voz ativa nas decisões que moldam o ambiente de negócios do Rio de Janeiro, além de abrir portas valiosas para o networking e rodadas de negócios. Além disso, o acesso à inteligência de mercado e à estrutura de inovação e capacitação da Firjan SENAI SESI nos permite qualificar nossa equipe e manter a empresa competitiva diante dos desafios únicos do nosso estado”, disse o presidente do sindicato.
Jörg Wagner, durante a apresentação dos processos da unidade da SCHOTT ao presidente da Firjan, destacou que a fábrica exporta mais de 60% do produto. “Esta planta abastece todo o mercado das Américas, assim como países da Europa, a Índia e o mercado da Ásia”, comentou. Ele acrescentou que são feitos negócios até mesmo com concorrentes. “Como nós somos o único fornecedor e existem poucos no segmento, há muitas empresas que usam o nosso tubo para ampolas”, salientou.
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| Caetano entrega os estudos Custo Rio e Rio de Futuro, ambos da Firjan, aos representantes do Grupo SCHOTT, Marcelo Cavagnero e Jörg Wagner | Foto: Paula Johas |
Capacitação para atuar com alta qualidade
Os vidros fabricados pela SCHOTT são de borossilicato, altamente resistentes ao calor e a choques térmicos devido à sua composição. Além disso, o padrão dos insumos e o controle de qualidade no processo produtivo garantem aos produtos da multinacional alta performance. Para tanto, é preciso contar com profissionais capacitados especificamente no segmento de tubos de vidro.
O presidente da Firjan enfatizou a importância da preparação de profissionais, citando os cursos da Firjan SENAI e o Programa Escritório de Carreira, e afirmou que a federação está disponível para apoiar a empresa nesse sentido. “A nossa visita aqui é uma aproximação para entender um pouco as suas demandas, as suas necessidades, as suas angústias. Estamos aqui para atender”, frisou Caetano.
Pautas de inclusão e sustentabilidade
Em alinhamento com suas metas globais de governança e responsabilidade social, a multinacional alemã SCHOTT tem consolidado o aumento da participação feminina como uma de suas principais diretrizes operacionais no ambiente corporativo. Na planta de Pilares, segundo os dirigentes, cerca de 30% dos cargos são ocupados por mulheres, e a meta é chegar a 50%, ou seja, metade do quadro.
“Nossa aspiração é ter 50% de homens e mulheres em todas as posições da empresa, em todos os níveis hierárquicos, não havendo nenhum tipo de distinção. Nós trabalhamos com campanhas internas, buscando atrair e manter as mulheres na empresa por meio de rodas de conversa mensais, além de diversas outras práticas, analisando o clima organizacional por meio de pesquisas direcionadas ao público feminino. Além disso, buscamos dar sempre preferência a mulheres nos processos de seleção, em todas as posições da empresa”, explicou Marcelo Cavagnero.
Sobre a atuação da SCHOTT no que diz respeito à descarbonização, Jörg Wagner explicou que outra meta do grupo é ser cada vez mais sustentável. Na unidade carioca, a empresa converteu o sistema de combustão de seus fornos industriais para reduzir o impacto ambiental de sua operação.
O processo de fabricação de vidro exige alta demanda energética para manter os materiais fundidos a temperaturas que atingem 1.700 °C. Diante desse cenário, a queima tradicional baseada em ar atmosférico foi substituída pela utilização de oxigênio puro combinado com gás. A mudança resultou em uma chama com maior eficiência e potência térmica, permitindo também a eliminação completa do uso de óleo combustível na planta. “Já registramos uma redução de cerca de 30% no consumo de energia e na emissão de dióxido de carbono”, sublinhou.
A transição tecnológica, concluída em todos os fornos da unidade até o ano de 2019, gerou indicadores práticos na agenda de descarbonização da fabricante. A adoção da oxicombustão estabilizou o processo produtivo e provocou uma redução significativa tanto no consumo de energia quanto no volume de emissões de dióxido de carbono gerados pela atividade industrial. Para a gestão da empresa, os resultados consolidam a planta em um patamar de conformidade com as restrições e metas regulatórias ambientais do setor.
O reaproveitamento de vidros é outra preocupação do grupo. Conforme pontuou Jörg Wagner, são reaproveitados os cacos da própria fábrica, seja porque quebraram ao longo da produção ou porque não foram validados no processo de qualidade, além dos descartes dos fornecedores.
A origem e a evolução
O embrião para a criação do Grupo SCHOTT nasceu de uma invenção: o químico alemão Otto Schott (1851-1935), um fabricante de vidros para janelas, desenvolveu, em 1883, vidros resistentes ao calor e a choques térmicos. A novidade era incrível para a época e é largamente indispensável até os dias de hoje para vidrarias de laboratório, utensílios domésticos e embalagens farmacêuticas, entre outros objetos. O feito fez com que Otto fosse considerado o inventor da ciência moderna do vidro e o precursor da indústria de vidros especiais.
No ano seguinte, com o físico Ernst Abbe e o mecânico de precisão e óptico Carl Zeiss, Otto Schott fundou o Schott & Associates Glass Technology Laboratory, um pequeno laboratório em Jena, na Alemanha. Por meio de desenvolvimentos inovadores em vidro, as lentes especiais permitiram uma ampla gama de avanços na ciência e em pesquisas no final do século XIX, como vidros que corrigem distorções nas lentes, viabilizando a fabricação de microscópios e telescópios de alta precisão.
Em 1927, com a aquisição das vidrarias de Zwiesel e de Grünenplan e Mitterteich, em 1930, representa o marco dos primórdios do Grupo SCHOTT. Diante da demanda global pelos vidros especiais da fabricante, entre 1952 e 1954, o grupo inicia sua expansão para fora da Alemanha por meio da Vitrofarma, uma fabricante brasileira de tubos de vidro para carpules farmacêuticos, tornando-se a primeira unidade de produção da empresa alemã fora do país. E a unidade atual fica justamente no mesmo endereço da unidade visitada pelo presidente da Firjan.
Governança corporativa sustentável
Ernst Abbe criou a Fundação Carl Zeiss em 1889. A iniciativa garantiu permanentemente a existência das fábricas da ZEISS e da SCHOTT, independentemente dos interesses do proprietário, além de dar aos funcionários direitos sociais especiais e promover instituições científicas e sociais fora das empresas. Com o apoio de Otto Schott, Abbe implementou um modelo corporativo único, voltado para a sustentabilidade. O estatuto de 1896 da fundação de Abbe forma a constituição corporativa, que é um dos documentos mais importantes da história econômica e social da Alemanha.
Até hoje, o grupo segue com o seu compromisso de inovar e contribuir para um mundo tecnológico e sustentável. Um dos marcos tecnológicos ao longo dos últimos anos, por exemplo, foi apresentar a viabilidade técnica para realizar os primeiros testes do mundo operando uma célula de fusão de vidro industrial em regime contínuo (24 horas por dia, sete dias por semana) com 100% de hidrogênio verde em substituição ao gás natural fóssil. O resultado do teste comprovou que a transição de combustível mantém a alta qualidade do vidro especial.