
Firjan realiza debates estratégicos sobre a economia global e seus impactos na indústria brasileira e fluminense.Foto: Paula Johas
A Firjan iniciou, nesta quarta-feira (5/8), o primeiro de uma série de eventos voltados a debates estratégicos sobre a economia global e seus impactos na indústria brasileira e fluminense. Realizado na Casa Firjan, o seminário Cenários e Desafios para a Economia Brasileira reuniu quatro dos mais importantes economistas do Brasil para discutir os rumos da economia e seus efeitos no ambiente de negócios.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou que os encontros vão além da abordagem de temas do setor industrial, trazendo uma visão holística da economia. Além disso, a iniciativa fornece dados e informações que contribuem para as tomadas de decisões dos empresários.
“No mercado interno, mudanças no mercado de trabalho impactam a economia de um modo geral, enquanto a geopolítica internacional pode trazer impactos negativos para a atividade econômica. Para completar, estamos em um ano de eleições e o período que antecede as urnas sempre representa um momento de compasso de espera”, disse.
O diretor-executivo da Firjan SENAI SESI, Alexandre dos Reis, adiantou que o próximo encontro será após as eleições e apontou que os seminários sempre contarão com a participação de especialistas de setores diversos da economia. “Nós trazemos não só o conceito de economia, mas a tradução dos assuntos e a aplicabilidade destes temas no dia a dia da nossa gestão. Quanto mais nós entendermos desse movimento, melhor para”, enfatizou.
O primeiro painel abordou o tema “Mercado de trabalho e conjuntura do consumo” e reuniu o pesquisador da FGV IBRE Fernando de Holanda Barbosa Filho e o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes.

Júlio Talon, Presidente do Conselho Empresarial de Economia mediou o painel "Contexto Macroeconômico Nacional e Internacional", que reuniu Lívio Ribeiro e Fábio Bentes.
A segunda parte do evento abordou o tema “Contexto Macroeconômico Internacional e Panorama Fiscal”. O debate reuniu Lívio Ribeiro, pesquisador da FGV IBRE e sócio da consultoria BRCG, e Fabio Giambiagi, economista, especialista em finanças públicas e economista do BNDES.
Responsabilidade fiscal e sustentabilidade
As discussões do seminário evidenciaram que os desafios da economia brasileira estão profundamente interligados. O mercado de trabalho permanece aquecido, mas convive com baixa produtividade e pressões crescentes sobre os custos das empresas; o elevado endividamento das famílias restringe o consumo, sobretudo de bens menos essenciais; e o ambiente internacional, marcado por tensões geopolíticas, inflação resistente e juros elevados, amplia a incerteza sobre câmbio, custos de produção e investimentos. Ao mesmo tempo, o desequilíbrio das contas públicas segue como um condicionante central para a estabilidade econômica, a redução dos juros e a retomada de um crescimento mais sustentável.
Na condição de mediador do seminário, o presidente do Conselho Empresarial de Economia, Júlio Talon, reuniu os principais pontos do debate e destacou que a construção de uma trajetória econômica sustentável depende da atuação conjunta dos agentes econômicos, da responsabilidade fiscal e do fortalecimento do papel formador de opinião do setor produtivo, especialmente no contexto eleitoral.
“Diante de uma dívida pública que atinge 83% do PIB e do desafio de alcançar a meta de 4% do IPCA em 2028, destaca-se a urgência de ter governantes no Executivo e no Legislativo genuinamente comprometidos com o controle dos gastos públicos”, concluiu.
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