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Preservação da memória da indústria e do patrimônio é tema de seminário do Iphan, na Firjan

Irene Chaves (ao microfone), do Memória da Indústria Firjan

Irene Chaves (ao microfone), do Memória da Indústria FirjanFoto: Vinicius Magalhães

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Publicado em 04/11/2026 15:47  -  Atualizado em  04/11/2026 16:21

Em comemoração ao bicentenário da indústria, celebrado no ano que vem, a Casa Firjan sediou, em 29/10, o seminário 200 Anos da Indústria Carioca: Acervo, Patrimônio e Futuro, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No encontro, foram debatidos temas como a industrialização do Rio – cidade que protagonizou esse processo no país –, a importância da preservação do patrimônio industrial material e imaterial, além das transformações urbanas. O evento lançou um olhar sobre passado, presente e futuro, ao refletir sobre inovação, sustentabilidade, digitalização e novas tecnologias.

A programação contou com quatro mesas temáticas: Industrialização Carioca: Formação e Expansão, Séculos XIX e XX; Arquitetura e Patrimônio Industrial; Memória, Museus e Usos Contemporâneos; e Patrimônio Industrial em Perspectiva Nacional e Comparada.

O diretor de Relações Institucionais da Firjan, Márcio Fortes, abriu o evento rememorando os quase 200 anos de representação industrial, desde a criação da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (SAIN), instituição que deu origem à Firjan. Fortes também exaltou a realização do seminário na Casa Firjan, espaço tombado pelo Iphan em junho deste ano.
 
“Estamos muito contentes em receber este evento na Casa Firjan, um patrimônio tombado que foi devolvido para o convívio no bairro. Como hub de conteúdo e inovação da instituição, o espaço consolidou-se como referência no desenvolvimento de novas tecnologias, formação profissional e visão de futuro", destacou.

A superintendente do Iphan-RJ, Patrícia Correa, elogiou o cuidado com a preservação da memória da Firjan e citou como exemplo justamente a restauração da Casa Firjan, que reúne o Palacete Linneo de Paula Machado e seus jardins. 

“Fui consultora do processo de restauro e da reconstituição da Casa Firjan e do Memória da Indústria, que hoje está disponível online, e me sinto muito feliz por estar aqui. A Firjan carrega a história da indústria do Rio de Janeiro e nacional”, afirmou Patrícia, que é autora do livro “Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional: O templo carioca de Palas Atena”, lançado na Casa Firjan, em 2018. 

Assista abaixo a íntegra da primeira parte do evento:

Patrimônio industrial

A relação entre as transformações urbanas e culturais e a importância da conservação do patrimônio industrial foi abordada em painel que contou com a participação da jornalista Irene Chaves, analista de Comunicação da Firjan e uma das responsáveis pelo Projeto Memória da Indústria. Rafael Rezende Borges de Araujo, doutor em Sociologia, e Evelyn Furquim Werneck Lima, arquiteta e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio), completaram a mesa.

Irene contou que a área de Memória da Firjan está organizando o rico acervo da instituição para torná-lo público. Entre as preciosidades reunidas, estão documentos e publicações da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (SAIN), criada em 1827, e berço da representação industrial. Também integram a coleção o periódico da SAIN “O Auxiliador da Indústria Nacional”, que, de 1833 a 1892, foi palco de debates sobre inovação técnica, desenvolvimento da indústria no país, educação e o bem-estar dos operários e suas famílias.  Constam também registros audiovisuais e documentos sobre a criação do SESI, SENAI, CNI, Sistema S, Firjan e entre outras instituições industriais.  “A organização do acervo da Firjan é um marco para os 200 anos de representação industrial. Estamos trabalhando na conservação dos arquivos físicos, que serão inventariados e disponibilizados em plataforma digital, em homenagem ao bicentenário”, ressaltou a jornalista.

Autor de pesquisa sobre a Rota do Patrimônio Industrial da Região do Ruhr (Alemanha), Rafael Rezende frisou a importância da preservação do patrimônio industrial para a memória e a identidade das cidades. “A preservação contribui para impulsionar o crescimento das cidades, desenvolver os bairros e entregar serviços públicos para as comunidades. É uma oportunidade de mobilização social”, observou.

Já Evelyn Furquim trouxe exemplos de regiões do mundo onde o patrimônio industrial é preservado adequadamente, como Paris, Londres, Évora, Buenos Aires e São Paulo. “A verdadeira refuncionalização do patrimônio industrial transcende a mera preservação da fachada. Não se trata de uma intervenção superficial, mas sim da conservação de elementos materiais que permitam à população reconhecer a memória do espaço”, observou.

Arquitetura e patrimônio cultural

Luis Felipe Omena Viana de Vasconcellos, cordenador de Projetos de Engenharia da Firjan, foi o mediador da mesa "Arquitetura e Patrimônio Industrial", que contou com Danielle Nogueira Magalhães, arquiteta e urbanista do Iphan, e Aníbal Magalhães, do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

“A arquitetura industrial sempre foi um agente de transformação urbana dentro da sociedade. As grandes indústrias criam e formam verdadeiras cidades ao redor delas. A construção da indústria se completava com as vilas operárias, que traziam os operários, os equipamentos comerciais, serviços e toda a infraestrutura”, destacou Omena.

Confira a segunda e última parte do seminário: 

 
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