O Conselho Empresarial de Agronegócios, Alimentos e Bebidas da Firjan reuniu empresários, especialistas e representantes de instituições parceiras para debater o cenário econômico da indústria de alimentos e bebidas, além das perspectivas para o setor em 2026. O encontro foi realizado em 27/5 e contou com apresentações sobre os panoramas nacional e estadual da indústria de alimentos e bebidas, atualização sobre a economia do Rio, a atuação na cadeia do agronegócio fluminense e as estratégias de conexões empresariais.
Para detalhar o panorama geral da indústria de alimentos e bebidas, Cleber Sabonaro, gerente de Economia e Inteligência Competitiva da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), apresentou dados atualizados sobre o desempenho durante os últimos anos, especialmente de 2025, e trouxe as perspectivas de atuação mapeadas em 2026.
Segundo Sabonaro, o Brasil produziu, ano passado, cerca de 288 milhões de toneladas de alimentos e bebidas alimentares, por meio de aproximadamente 42 mil empresas distribuídas em todos os estados brasileiros. Deste total, 93% são micro, pequenas e médias empresas. O setor também se mantém como o maior empregador da indústria nacional, somando 2,125 milhões de empregos diretos e 8,5 milhões de empregos indiretos, totalizando cerca de 10,6 milhões de trabalhadores em toda a cadeia produtiva.
Na região Sudeste, o setor reúne 16,8 mil empresas, responsáveis por 826,9 mil empregos diretos e 3,3 milhões de empregos indiretos. Durante a apresentação, Sabonaro destacou que a concentração produtiva da indústria alimentícia no Sudeste está fortemente relacionada à logística e ao mercado consumidor. Segundo ele, estados como São Paulo e Rio de Janeiro possuem vantagens competitivas ligadas à estrutura portuária, ao processamento industrial e à proximidade dos grandes centros consumidores.
Ao abordar as perspectivas para 2026, o economista da ABIA apontou desafios econômicos e estruturais que devem impactar o setor. Entre eles, a manutenção de juros elevados em razão das incertezas fiscais e do cenário eleitoral, além dos impactos climáticos sobre a produção agrícola. Apesar disso, a expectativa da ABIA é de manutenção de uma boa safra e crescimento conservador da indústria de alimentos, com projeção de expansão do PIB setorial nacional entre 1,8% e 2%, além de crescimento real das vendas entre 2% e 2,5%.
Outro ponto destacado por Sabonaro, e de importância estratégica para o Estado, foi o potencial de relocalização das indústrias de alimentos para perto dos grandes mercados consumidores, devido a implementação da Reforma Tributária, o que cria uma grande oportunidade para o Rio de Janeiro, 3º maior mercado consumidor do Brasil.
A reunião contou ainda com apresentação de Daniel Santa Cruz Freitas, coordenador de Agronegócios do Sebrae RJ, que detalhou a atuação da instituição no fortalecimento do agronegócio fluminense. Segundo ele, o trabalho é voltado principalmente para o desenvolvimento sustentável e competitivo dos pequenos negócios rurais e agroindústrias, por meio de capacitação, inovação, gestão e articulação de parcerias estratégicas.
O coordenador reforçou a importância da formalização dos produtores rurais e da gestão eficiente das propriedades para ampliar a competitividade do setor e atrair novos investimentos para o agronegócio do estado do Rio de Janeiro.
Também foi debatido o cenário econômico do Estado, na visão produtiva sem o PIB do Petróleo e as perspectivas para 2026, apresentado por Janine Pessanha de Carvalho, especialista em Estudos Econômicos e Competitividade da Firjan que destacou a baixa participação dos demais setores econômicos do estado no PIB, evidenciando a dependência do estado dessa cadeia produtiva.
Durante o encontro, o presidente do Conselho, Antônio Carlos Cordeiro, destacou a relevância das informações apresentadas, mencionou sua preocupação com a dependência estadual para a cadeia do petróleo, o potencial de aumentar a participação dos demais setores econômicos no PIB e sinalizou o interesse em aprofundar as discussões sobre oportunidades estratégicas para o estado do Rio de Janeiro, especialmente no setor de agronegócios, alimentos e bebidas.
Antônio Jardim, analista de suporte a negócios da Firjan, destacou os objetivos e atuação da nova área de inteligência e conexões empresariais da federação, com vistas a ações de mercado, fomento e fortalecimento do ambiente de negócios para associados.