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Lideranças industriais debatem competitividade, governança sindical e cenário econômico em encontro da Firjan

Foto: Paula Johas

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Publicado em 03/09/2026 15:18  -  Atualizado em  03/09/2026 15:49

Mais de 60 lideranças empresariais fluminenses, de diferentes setores produtivos da indústria, estão reunidas nesta semana em Mangaratiba, na Costa Verde, para uma discussão coletiva sobre os desafios para a competitividade das empresas no futuro. “A força da indústria do Rio de Janeiro está também na capacidade de seus empresários de atuar em conjunto, de defender seus interesses e de transformar desafios em oportunidades. Os próximos anos trarão desafios importantes para o nosso estado e o país. Tenho a convicção de que a indústria é um dos principais caminhos para promover o desenvolvimento, gerar oportunidades, transformar vidas e construir um futuro de mais prosperidade”, afirmou Luiz Cesio Caetano, presidente da Firjan, na abertura do Encontro da Indústria 2026.

Após homenagens póstumas aos empresários Sérgio Bousquet e Antônio José de Almeida, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Mármores, Granitos e Rochas Afins do Estado do Rio de Janeiro (Simagran-Rio), a primeira atividade desta quinta-feira (3/9) ficou a cargo do técnico, palestrante e bicampeão olímpico Giovane Gávio, que compartilhou aprendizados do esporte de alto rendimento diretamente ligados à liderança, à performance e ao cuidado com a saúde.

Na sequência, o presidente emérito da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e presidente da Escola de Associativismo, Lucas Izoton, propôs uma reflexão sobre associativismo e representação empresarial. Segundo ele, diante de um cenário nacional com centenas de milhares de organizações da sociedade civil e inúmeros voluntários, a atuação dos dirigentes industriais exige ir além da doação de tempo, demandando a superação de complexos desafios de gestão, governança e planejamento para garantir a sustentabilidade financeira dos sindicatos e fortalecer sua representatividade perante o setor produtivo.  

Ao mapear os 17 principais desafios que cercam a liderança sindical, Izoton enfatizou que a defesa legítima de interesses é atribuição inerente ao dirigente. O empresário sustentou que a prática do lobby, tratada pelos órgãos de controle como representação privada de interesses e em vias de regulamentação no Congresso pelo PL 2.914/2022, deve ser exercida com ética, transparência e fundamentação técnica, sendo a credibilidade o principal patrimônio do interlocutor para diferenciar essa atuação de qualquer desvio. “As entidades devem consultar periodicamente seus associados em vez de presumir prioridades, conectando as indústrias às soluções de inteligência, capacitação e competitividade oferecidas por instituições como a Firjan e suas entidades”, disse.  

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Luiz Cesio Caetano, presidente da Firjan | Foto: Paula Johas

Em seguida, o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, apresentou uma leitura do cenário macroeconômico e de seus impactos sobre a indústria. Com uma análise voltada a contrapor o alarmismo das redes sociais, o gerente da federação ressaltou que armadilhas psicológicas — como o viés da negatividade, aliado a algoritmos digitais que viralizam conteúdos catastróficos — criam falsas percepções de ruína generalizada.  

Em contraposição aos mitos que circulam sobre um suposto colapso econômico do país, Jonathas esclareceu que os indicadores comprovam que o comércio varejista, por exemplo, mantém trajetória de expansão e abertura de estabelecimentos, que os pedidos de falência recuaram e que a atividade econômica vivencia uma desaceleração com crescimento, distanciando-se dos quadros agudos de recessão do passado recente.

Apesar do descompasso entre narrativas alarmistas e estatísticas, o economista advertiu que há riscos reais e desafios estruturais que demandam vigilância permanente. De acordo com sua análise, o mercado de trabalho, que segue operando como o principal amortecedor da atividade econômica com desemprego em pisos históricos, já emite sinais claros de perda de tração na geração líquida de novas vagas formais. No campo fiscal, a rigidez orçamentária limita o ajuste das contas públicas em meio à injeção de recursos em estímulos pré-eleitorais em 2026. No caso fluminense, medidas como a repactuação da dívida pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados e do Distrito Federal (Propag) reduzem a asfixia financeira de curto prazo do estado, mas exigem disciplina orçamentária rigorosa e contínua.  

Sob a máxima de que “o medo paralisa decisões, mas os dados orientam a ação”, o economista-chefe sustentou que a superação do ruído conjuntural é indispensável para destravar uma robusta agenda de investimentos, especialmente no território fluminense, a exemplo da carteira mapeada pela federação no Panorama dos Investimentos no Estado do Rio de Janeiro 2026–2028.  

Com o apoio da Firjan IEL, as lideranças participaram de uma dinâmica voltada a transformar a reflexão em prática, com foco no papel de cada dirigente, nas demandas dos associados e na construção conjunta de soluções.

 
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