
Presidente Luiz Césio Caetano debateu com empresários o estudo que destaca as potencialidades do Centro-NorteFoto: Vinícius Magalhães / Firjan
Investimentos em logística no Centro-Norte Fluminense são considerados estratégicos para o desenvolvimento do potencial econômico da região. A infraestrutura precária de importantes rodovias é considerada um entrave para a indústria na região, que tem forte atividade em setores como o da moda, alimentos e turismo. Essa análise pode ser conferida no estudo “Rio de futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro”, tema central do encontro do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, em Nova Friburgo, com os empresários do Conselho Empresarial Firjan Centro-Norte, na noite desta terça-feira (7/4).
"A análise é uma importante ferramenta com informações que podem contribuir para o estabelecimento da melhoria da infraestrutura local, para melhor explorar as potencialidades". Luiz Césio Caetano
Elaborado pela Firjan, o estudo visa orientar um novo ciclo de desenvolvimento para o estado, identificando as vocações e potencialidades econômicas do Rio. Além da forte atividade da indústria da moda, a região apresenta condições de crescimento com a transição de baixo carbono na construção, o turismo de experiência, a especialização metalmecânica e a transformação digital das cadeias produtivas. A natureza, a gastronomia e o calendário de eventos regionalizados também são atrativos da região, que além de Nova Friburgo, inclui Bom Jardim, Cachoeiras de Macacu, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Macuco, Santa Maria Madalena, São Sebastião do Alto, Sumidouro e Trajano de Moraes.
“Trazemos informações estratégicas de todo o estado do Rio, com o recorte da região, mostrando as oportunidades que identificamos para o desenvolvimento econômico. Temos importantes produções regionais com forte possibilidade de crescimento”, destacou Caetano, que, ao lado da presidente da Firjan Centro-Norte, Marcia Carestiato Sancho, destacou que o encontro também foi um momento de troca de informações com os empresários da região.
Responsável por 23% da geração de empregos, a atividade industrial nos municípios do Centro-Norte Fluminense corresponde a 19,2% do PIB da região. Entre as vocações atuais, a indústria moda, com 9,8 mil profissionais, são as que mais geram empregos, seguidas da metalmecânica (4,5 mil), de cimento e derivados minerais (867) e de produção de bebidas (724). Apesar da região ser apontada como a terceira menor do estado, possui elevado capital humano, concentrando 10,9 mil estabelecimentos, dos quais 15% são industriais, índice que supera o do estado do Rio (6%). Entre os ativos estratégicos, a análise aponta o polo de moda íntima de Nova Friburgo, com forte presença de micro, pequenas e médias empresas, tendo o setor reconhecimento nacional.
“Esse estudo é fundamental para olharmos para as tendências e potencialidades da região e apresentar isso para a gestão pública. É necessário saber para onde podem ser direcionados novos investimentos”, destacou Márcia Carestiato.
Acesse o estudo Vocações e Potencialidades Econômicas do RJ
Desempenho socioeconômico
A região apresenta bons indicadores sociais, com destaque para a maior proporção de jovens no ensino técnico (34,9%) e melhores índices de segurança. O principal gargalo está na saúde, com cobertura de atenção básica insuficiente, atingindo apenas 70,7% da população. Ainda assim, a região possui mais leitos por 100 mil habitantes que a média estadual (240 ante 207).
O Centro-Norte apresenta fragilidades na gestão fiscal, como aponta o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), de 0,57, quadro que reflete o baixo dinamismo da atividade econômica regional. Mesmo com setores relevantes na geração de empregos, como a indústria têxtil, tem um baixo PIB per capita e está entre as quatro regiões com as menores taxas de emprego. Contudo, os indicadores educacionais, colocam a região com o seu nível de desenvolvimento moderado, conforme o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM).
“Além de um panorama socioeconômico da região, o estudo aponta os potenciais para o crescimento nos próximos anos, como destacamos os produtos premunis, como alimentos com potencial na região. Além do que a gente já conhece, há diversos setores que podem ser fomentados nos próximos anos se destravarmos diversos problemas, como as questões de energia, infraestrutura e investimentos em logística”, destacou Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan.
Em infraestrutura, a análise aponta que a região tem na mobilidade um ponto positivo, com a terceira menor proporção da população que leva mais de uma hora para chegar ao trabalho (8,5%). Por outro lado, há desafios em saneamento e energia, com a menor cobertura de abastecimento de água do estado (76,4% da população), além da elevada frequência de quedas de energia (6,2% na região ante 3,7% no estado) e da maior duração dessas interrupções (11,6% na região ante 7,8% no estado).