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Conselho de Mulheres debate empreendedorismo feminino e inovação para um futuro sustentável

Carla Pinheiro (Firjan), Thais Corral (Madre Frutos) e Andréa Carvalho (Papel Semente)

Carla Pinheiro (Firjan), Thais Corral (Madre Frutos) e Andréa Carvalho (Papel Semente)Foto: Marcelo Martins/Firjan

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Publicado em 10/09/2026 16:01  -  Atualizado em  11/09/2026 10:48

Nesta quinta-feira (8/9), o Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan debateu o tema "Empreendedorismo Feminino e Inovação para um Futuro Sustentável". Conduzido pela presidente Carla Pinheiro, o encontro destacou apresentações das empresárias e conselheiras Thais Corral (CEO da Madre Frutos) e Andréa Carvalho (CEO da Papel Semente). Elas compartilharam cases de negócios pautados pelo impacto socioambiental e pelo protagonismo feminino.

As trajetórias das executivas serviram de inspiração para a discussão de estratégias que fortaleçam o ambiente de negócios fluminense. O objetivo central do debate foi traçar caminhos para ampliar a presença de mulheres em cargos de gestão e estruturar novas oportunidades de geração de renda, com foco especial em populações em situação de vulnerabilidade econômica.

Na reunião, Carla Pinheiro, que também é diretora da Firjan, reforçou o papel das mulheres na economia do estado do Rio de Janeiro e do país, assim como a responsabilidade de tê-las em cargos de liderança. “Estamos olhando para essa mulher que hoje já sustenta mais de 51% dos lares brasileiros”, destacou. 

Ela também enfatizou a atuação institucional da federação. "É um reconhecimento da Firjan como impulsionadora dessa pauta, como entregadora de ações e de mudar efetivamente essas relações da sociedade. É entender que estamos aqui para fazer e debater”, enfatizou.

Economia regenerativa

Durante a apresentação dos cases da Madre Frutos (iniciativa integrante do Sinal do Vale, bio-hub no Recôncavo da Guanabara reconhecido pela ONU), Thais Corral destacou o trabalho direto com as comunidades locais. Ela enfatizou como o protagonismo feminino se consolidou de forma orgânica no território, impulsionado pelo manejo sustentável da jaca verde para a produção de alimentos.

Conforme comentou, a Madre Frutos nasceu pela abundância de recursos existentes naquela região, como a jaca verde. “As jaqueiras, que, se não forem manejadas, se tornam um problema, porque se expandem com muita facilidade. Mas, manejada, ela se torna um potencial. Foram dez anos trabalhando com muita persistência para estruturar o manejo, o processamento e a comercialização. Temos a possibilidade de produzir até 10 toneladas por safra e temos 10 produtos disponibilizados para venda”, falou sobre o projeto que conta com mulheres na linha de frente da produção.

A fundadora detalhou o papel das mulheres no ecossistema de regeneração ambiental. Citou a fábrica em Santo Antônio, que emprega sazonalmente 10 mulheres por safra – em sua maioria mães que enfrentam barreiras de inserção no mercado formal por falta de rede de apoio para os filhos –, com capacitação, renda e segurança alimentar. 

Também enfatizou que, além do processamento vegetal da jaca verde, existe uma articulação de projetos no hub, entre eles o “Caminho do Recôncavo da Guanabara”, que é uma trilha de ecoturismo com 110 km passando por cinco municípios, e a iniciativa “Guardiãs da Terra”, um movimento que conecta e fortalece mulheres latino-americanas defensoras dos territórios, da biodiversidade e da economia regenerativa. Em 2023, a Madre Frutos foi vencedora do Prêmio Firjan de Sustentabilidade na categoria Gestão de Impacto e Investimento Social. 

Thais destacou que trabalhar a regeneração e as soluções baseadas na natureza exige olhar para o território e para as pessoas que vivem nele. Para isso, lembrou quando a instituição abriu o curso de agroecologia. “Muitas vezes, são as mulheres as que buscam a capacitação. Atuamos como catalisadores dessas soluções no nível de uma biorregião, conectando preservação ambiental, gestão territorial e impacto social direto”, afirmou.

Vale destacar que a Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense mostra que o número de mulheres na indústria fluminense cresceu 70% desde 2020, um avanço superior ao observado entre os homens (+34%), de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Transformar negócios inovadores

Andréa Carvalho, CEO da Papel Semente, propôs uma reflexão sobre como transformar problemas socioambientais em negócios viáveis, tendo a participação e liderança feminina. “Trago uma provocação: o que precisamos fazer para que mais mulheres consigam transformar problemas socioambientais em negócios inovadores, sustentáveis e economicamente viáveis?”, indagou.

Ela apresentou dados sobre o panorama nacional e regional do empreendedorismo feminino. Com base em pesquisas do Sebrae e da Pnad, a empresária pontuou que o Brasil conta com 10,4 milhões de mulheres donas de negócios. No estado do Rio de Janeiro, 40% dos empreendedores são mulheres (o maior percentual do país), e 44,3% dos pequenos negócios abertos no estado em 2023 foram liderados por elas.
Apesar do avanço quantitativo, Andréa alertou para as disparidades econômicas que ainda afetam a gestão feminina. "O nosso rendimento ainda é 24% abaixo do dos homens. A gente cresce em número, em escolaridade, em formalização dos nossos negócios, mas ainda temos menos renda", revelou, cobrando maior acesso a investimentos.

Apesar da expansão, a empresária alertou para os gargalos estruturais de mercado, citando que o rendimento médio feminino ainda é 24% inferior ao masculino, além de barreiras como a dupla jornada e a sub-representação em espaços de decisão. Para superar esse cenário, a CEO apresentou uma proposta articulada em cinco eixos de ação (conhecer, conectar, capacitar, comprar e financiar), cobrando maior apoio de capital e acesso a mercados para empresas lideradas por mulheres.

“A verdade é que, sem recurso financeiro, não há escala nos negócios sustentáveis geridos pelas mulheres. É preciso de preço, de margem, de escala, de investimento, de mercado. O futuro sustentável precisa ser feminino, porque sustentabilidade não é apenas sobre reduzir impactos, é sobre decidir que tipo de economia queremos construir e quem vamos levar conosco. E isso é também inovação”, declarou.

 
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