Completar 100 anos de operação no Brasil é sinônimo de resiliência. Poucas empresas atingem essa façanha. É o caso do Laboratório Gross, que celebrou o marco na quinta-feira (28/5), na Casa Firjan, em Botafogo. Uma das associadas Firjan/CIRJ, a companhia mantém até hoje o clima familiar presente desde a sua inauguração.
Presente na cerimônia, o presidente da empresa, Carlos Fernando Gross, agradeceu a presença de todos. “Hoje é um dia de congraçamento, porque estão trabalhadores, cientistas, entidades, representantes da área científica do Rio. Era essa a ideia da festa. Uma festa não só do laboratório, mas de toda a indústria farmacêutica. Não é fácil fazer um século neste setor, e todos que estão aqui sabem bem da resiliência que precisamos ter para completar 100 anos e do esforço para manter uma empresa como essa, consolidada no nosso mercado”, disse o engenheiro de formação, cercado de familiares e colaboradores do Laboratório. Gross é vice-presidente da Firjan e presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado do Rio (Sinfar-RJ).
Na ocasião, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ressaltou a sua honra em participar das celebrações de um marco na trajetória da indústria nacional. Ele ainda destacou que apenas 0,02% das empresas nacionais atingem um século de atividade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A trajetória do Laboratório Gross reflete uma combinação de tradição, empreendedorismo e inovação. É uma companhia 100% nacional e sob gestão da mesma família que iniciou o negócio. Seus dirigentes sempre foram visionários, vislumbrando novas oportunidades, concretizando parcerias, inclusive internacionais, e atentos às novas tecnologias. É uma indústria que chegou à posição de uma das líderes do mercado farmacêutico do Brasil. O orgulho de participar desta celebração fica ainda maior diante do fato de o Laboratório Gross ser nosso associado há quase 30 anos”, disse Caetano.
O presidente da Firjan fez questão de lembrar que o laboratório nasceu justamente em Botafogo, na Zona Sul, bairro onde está instalada a Casa Firjan, hub de inovação e tendências da federação do qual Gross foi um dos mentores. “Uma coincidência fantástica”, frisou. Também enfatizou a relevância de Carlos Gross para a indústria fluminense, lembrando que o Portal Memória da Indústria, plataforma digital do programa de memória organizacional da Firjan e de suas instituições, conta com uma entrevista mostrando a trajetória do empresário.
Em sua apresentação aos convidados, Gross também relembrou alguns momentos em que sua família, representando o laboratório, fez parte da construção de instituições brasileiras que hoje pesquisam e regulam tudo o que envolve a área da saúde.
“Tivemos importantes participações. A fundação da Anvisa, que começou com um jantar na minha casa, onde estavam presentes nomes importantes. E vários outros setores que nós acompanhamos a formação. Isso quer dizer que estamos juntos, e que juntos chegamos não aos 100 anos, mas à indústria farmacêutica importante que temos hoje no Brasil. A presença de parte dos companheiros da Fiocruz demonstra claramente nosso reconhecimento àquela gente competente, dedicada e trabalhadora”, pontuou.
Para amplificar a importância da celebração, foi realizado um painel com profissionais da saúde. Subiram ao palco Daniela Marreco, mestre e doutora em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB) e servidora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Joana Meirelles, mestra em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e atualmente superintendente da área de Saúde e Transformação Digital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); e Carlos Aguiar, farmacêutico e bioquímico formado pela Universidade de São Paulo (USP).
Uma trajetória de sucesso
Para Carlos Gross, o evento de quinta-feira, além de comemorar o aniversário da empresa, tem o objetivo de mostrar a união de um setor vitorioso. O presidente do laboratório recordou a história do nascimento da empresa.
“O Laboratório Gross começa na Praia de Botafogo, onde hoje é a Fundação Getulio Vargas. Mas, na verdade, começa nesta casa. A minha família, de imigrante alemão, construiu uma casa exatamente em frente onde estamos, onde é a Igreja de Santo Inácio. Lá morava o senhor Wilhelm Gross, em uma chácara enorme. Quando ele morreu, em 1903, os jesuítas compraram aquela área, e minha família se mudou para a casa em Botafogo”, contou, frisando que a região reunia nomes importantes da sociedade carioca à época: “Aqui nessa rua formou-se um pouco da cidadania e da nação. Minha família fez parte disso”.
A história do Laboratório Gross está contada na edição 815 da Carta da Indústria, publicada em abril de 2023. À reportagem, Gross afirmou que “uma empresa precisa ter personalidade própria, não pode depender do dono. Deve ser encarada como um ser vivo, capaz de caminhar sozinha, com autonomia”.