A Firjan SENAI SESI lança, nesta terça-feria (23/6), a 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio. A publicação chega em um momento de profundas transformações para o mercado global de energia. Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias de suprimento e crescente preocupação com a segurança energética, a publicação da federação mostra como o Brasil e o estado fluminense reforçam seu papel estratégico como fornecedores confiáveis de petróleo e gás para o mundo.
Apesar dos resultados positivos em 2025 - produção nacional de óleo cresceu 12% e a fluminense, 13%, em relação ao ano anterior -, os dados do Anuário apontam desafios para a sustentabilidade da produção no longo prazo. A baixa perfuração de poços exploratórios acende um alerta sobre a necessidade de reposição de reservas e ampliação da capacidade de responder ao declínio natural da produção no médio e longo prazos.
Em 2025 foram apenas oito poços exploratórios pioneiros concluídos no país, sendo sete no estado do Rio. Este ano, apenas um poço exploratório pioneiro, localizado no litoral fluminense. Também os dados de reservas reforçam a preocupação da Firjan SENAI SESI.
De acordo com a publicação, houve redução de 1% nas reservas totais do país e de 3% no Rio em 2025. Já as reservas provadas apresentaram leve crescimento, de 4% tanto no país quanto no estado fluminense. Assim, no ano passado, a relação Reserva/Produção (R/P) para o Rio de Janeiro ficou em 12,8 anos.
A federação ressaltou que a competitividade do mercado também passa por um fortalecimento das regiões produtoras. “Não há como negar que temos no petróleo uma verdadeira alavanca de desenvolvimento. Mas para que isto se traduza em realidade de forma mais efetiva é necessário proteger as regiões produtoras, garantindo a justa compensação pelas externalidades impostas pelas atividades nestes territórios. Precisamos garantir um ambiente de negócios propício para a indústria se estabelecer e dar condições adequadas para toda a sociedade no seu entorno”, aponta o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
Representante de empresas que operam em muitas dessas regiões, a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) também apresenta ponderações sobre a ações que impactam a competitividade do mercado. Em artigo, a entidade cita o papel das empresas independentes, alavancando a produção em campos maduros e marginais. Porém, para manter patamares de produção economicamente sustentáveis, a associação pede a melhoria do ambiente de negócios a partir da simplificação regulatória, segurança jurídica, acesso a financiamento e instrumentos de crédito, infraestrutura e acesso a mercados, incentivos à inovação e à eficiência operacional e integração da cadeia de fornecedores
Dados dinâmicos
“O Anuário do Petróleo no Rio reúne análises e perspectivas de instituições públicas, empresas, associações e especialistas sobre os desafios e oportunidades que devem moldar o futuro da indústria de petróleo, gás natural e energia nos próximos anos. A edição traz, além dos painéis dinâmicos do Anuário e do Guia das Participações Governamentais, o Mapa do Petróleo no Rio, outra ferramenta interativa que reúne as principais estruturas e ativos da cadeia produtiva do petróleo. A iniciativa amplia o acesso à informação e oferece uma visão integrada da infraestrutura que sustenta a liderança fluminense na indústria nacional de petróleo”, destaca a gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, Karine Fragoso.
Entre os principais dados do mercado de petróleo no estado e no país, o Anuário destaca:
- Recorde na produção de petróleo do estado, com pouco mais de 1,2 bilhão de barris em 2025, o equivalente a pouco mais de 3,3 milhões de barris/dia. Crescimento de 13% em relação a 2024;
- Os valores diários dos quatro primeiros meses de 2026, já registram novas altas de 9%, alcançando o patamar superior a 3,6 milhões de barris/dia;
- Pelo 6º ano consecutivo, a participação do Rio na produção nacional sobe e alcançou 88% no ano 2025;
- O volume total da produção nacional alcançou patamar próximo a 1,4 bilhão de barris em 2025, o equivalente a quase de 3,8 milhões de barris/dia. 12% a mais em relação ao ano anterior;
- Já os valores diários dos quatro primeiros meses de 2026 registram novas altas de 10%, alcançando o patamar superior a 4,1 milhões de barris/dia;
Os efeitos dessa atividade atingem diretamente a economia fluminense. Os recursos distribuídos ao estado e aos municípios produtores desempenham papel relevante no financiamento de políticas públicas, investimentos em infraestrutura e promoção do desenvolvimento regional. Em 2025, a indústria do petróleo contribuiu com R$ 30,23 bilhões em Royalties e R$ 14,72 bilhões em Participações Especiais para o estado e municípios fluminenses.
A relevância da indústria também pode ser observada no mercado de trabalho. Em 2025 foram registrados 94.297 postos de trabalho diretamente associados ao mercado de petróleo nos segmentos de exploração e produção, abastecimento e cadeia fornecedora.
Conteúdo do Anuário do Petróleo no Rio 2026:
- A Firjan SENAI SESI traz sua visão de mercado em três artigos distintos. O primeiro apresenta os reflexos das transformações da geopolítica energética, destacando a América Latina como uma nova potência petrolífera capitaneada pelo Brasil, mas com grande relevância também para Guiana, Argentina e potencial retomada da produção na Venezuela.
O segundo artigo avalia a capacidade de atendimento das demandas do mercado, sinalizando que a indústria nacional tem conseguido atuar de forma bastante positiva em determinados segmentos como nas atividades de exploração, ao passo que carece de maior participação em fornecimento às unidades de produção.
Por fim, a federação apresenta um modelo preditivo de tradução de oportunidades para os trabalhadores aplicado ao mercado de petróleo. Os resultados apresentados destacam uma tendência de crescimento da ordem de 2,5% em 2026 e 1,5% em 2027, comparados ao ano base de 2025.
- Em sua contribuição, a Petrobras destaca números expressivos sobre o Complexo de Energias Boaventura, com investimentos previstos de US$ 3,2 bilhões, como parte de um total de US$ 20 bilhões até 2030 em seus projetos nas áreas de Refino, Transporte e Comercialização (RTC), Petroquímica e Fertilizantes.
- A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) aponta a importância das conexões industriais como elemento decisivo para a competitividade da cadeia produtiva de O&G, a exemplo de práticas internacionais. No Brasil, há potenciais em novos mercados como de descomissionamento, onde observa-se a aproximação de empresas de engenharia, portos e recicladores industriais.
- Os impactos geopolíticos em decorrência dos conflitos no Oriente Médio e consequente restrições na logística energética via Estreito de Ormuz para o mercado internacional, destacando que a concentração da produção mundial em regiões instáveis representa um risco crescente para a segurança energética global, são apontados na análise da Rystad Energy. A empresa ainda destaca que o Brasil desponta como uma alternativa estratégica para a expansão da oferta mundial.
- A segurança energética passa a incorporar fatores como estabilidade institucional, confiabilidade regulatória e resiliência das cadeias de suprimento é tema da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As projeções indicam que o país poderá atingir uma produção de 4,9 milhões de barris por dia em 2035, com pico de 5,1 milhões de barris por dia em 2032.
- Já o governo federal, por meio da Casa Civil, aborda a temática das novas fronteiras exploratórias, tendo em vista todas as preocupações acerca da reposição de reservas no país. O artigo debate desde o licenciamento ambiental para perfuração na Foz do Amazonas, passando por questões geopolíticas que se refletem no continente. O conteúdo ainda apresenta análises dedicadas a região da Margem Equatorial, Bacia de Pelotas e a Exploração de Recursos Não Convencionais.
- A PPSA explica sobre o que esperar do pré-sal nos próximos anos, citando que o pico da parcela da União nos contratos de partilha deve ocorrer em 2033, quando é esperado um volume de 506 mil barris/dia em sua parcela. Após este ano, a empresa prevê início do declínio gradual da produção total dos campos que hoje operam sob regime de partilha.
- A Siemens Energy destaca as tecnologias para o futuro do offshore, ressaltando o processo de eletrificação das operações offshore. Em paralelo, aborda o processo de digitalização, sistemas inteligentes e o avanço de sistemas remotos de operação com elevada segurança, bem como as tecnologias de descarbonização das operações.
- Já a Veirano Advogados traz uma avaliação da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental e expansão da atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ponderando sobre inovações como a Licença Ambiental Especial, que pode concluir determinados processos de licenciamento em até 12 meses.
Serviço:
Evento: Lançamento do Anuário do Petróleo no Rio 2026
Data: terça-feira, dia 23/6
Local: MAM Rio – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Av. Infante Dom Henrique 85 – Aterro do Flamengo)
Programação: 17h – Cerimônia de abertura; 18h às 21h – Encontro de networking.