
Carla Pinheiro, diretora da Firjan e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres, compartilhou parte de sua trajetória profissionalFoto: Paula Johas / Firjan
A ampliação da presença feminina nas áreas de ciência, tecnologia e indústria esteve no centro dos debates do seminário “Elas Constroem o Amanhã”, realizado nesta sexta-feira (6/3), na Casa Firjan. O encontro reuniu representantes do governo estadual, da indústria e estudantes para discutir caminhos que ampliem a participação das mulheres em setores estratégicos para o desenvolvimento do estado.
Promovido pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, o evento destacou iniciativas voltadas à educação, pesquisa e qualificação profissional feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics). Ao longo da programação, foram apresentados projetos e experiências desenvolvidos por pesquisadoras, docentes, gestoras e estudantes que atuam na produção de conhecimento e inovação.
Carla Pinheiro, diretora da Firjan e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da federação, compartilhou parte de sua trajetória profissional, em engenharia elétrica e eletrônica, para mostrar como a formação técnica pode abrir caminhos para inovação e liderança. Destacou a importância de ampliar o protagonismo feminino em áreas tecnológicas e industriais, ainda marcadas pela predominância masculina.
Do setor joalheiro, Carla, que também é presidente do Sindicato das Indústrias da Joalheria e Lapidação de Pedras Preciosas do Estado do Rio de Janeiro (Sindijoias), contou que assumiu o desafio de administrar a fábrica da família e aplicou conhecimentos de engenharia para modernizar a operação. “Foi ali que consegui aplicar minha base em engenharia para transformar a operação, com investimento em tecnologia, gestão e design. Essa experiência reforçou como as competências de STEM geram inovação, competitividade e liderança feminina na indústria”, afirmou.
Apesar de exemplos de sucesso, ela ressaltou que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras culturais, preconceitos e vieses corporativos que dificultam o acesso e a permanência em áreas técnicas. Segundo ela, a desigualdade vai além dos números e se traduz em menor renda, menos presença feminina em cargos de liderança e perda de oportunidades para o país.
A empresária também enalteceu iniciativas voltadas à qualificação profissional feminina desenvolvidas pela Firjan SENAI. Entre elas estão cursos técnicos gratuitos e programas voltados à inserção de mulheres em áreas industriais tradicionalmente masculinas. Um exemplo é o programa Elas Transformam, que busca ampliar a presença feminina em funções estratégicas da indústria.
Durante o evento, Carla anunciou ainda que a federação lançará, no dia 9 de março, a pesquisa Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense. O estudo traça um panorama sobre a participação feminina no setor e serve como base para orientar políticas e estratégias empresariais. “Acreditamos que não há competitividade sem diversidade”, afirmou.
O secretário da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, Anderson Moraes, destacou o compromisso do governo estadual em ampliar a presença feminina em cargos de liderança na administração pública e em instituições estratégicas.
Segundo ele, diferentes áreas da gestão estadual já contam com mulheres à frente de secretarias e instituições, como saúde, alimentação, segurança e ciência. Para o secretário, a presença feminina na gestão contribui para ampliar perspectivas e fortalecer políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social e econômico.
“O avanço dessa agenda depende de ações concretas e não apenas de discursos, citando iniciativas institucionais voltadas à promoção da igualdade de oportunidades. Ele também ressaltou a importância da educação e da ciência para criar oportunidades para as novas gerações, especialmente para meninas interessadas em seguir carreira em áreas tecnológicas”, reafirmou.
A programação contou ainda com a participação de Caroline Alves, presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec), que abordou o papel do empreendedorismo feminino na geração de renda e na ampliação de oportunidades para mulheres.
“Quando a gente começa a dialogar sobre empreendedorismo, percebemos o impacto que isso pode ter na vida de outras mulheres. Muitas precisam conciliar o trabalho com o cuidado dos filhos e acabam encontrando no empreendedorismo uma forma de garantir renda e autonomia”, afirmou.
Ao longo do dia, o seminário reuniu painéis temáticos dedicados ao incentivo da participação feminina na ciência, na educação e no desenvolvimento territorial. Entre os destaques estiveram debates sobre políticas de apoio às mulheres na pesquisa científica, iniciativas educacionais voltadas à formação feminina e projetos de extensão universitária que contribuem para o desenvolvimento social e econômico em diferentes regiões do estado.