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Economia do Rio / Economia

PIB do Rio: projeção de crescimento é revisada pela metade

12/09/19 12:20  -  Atualizado em  13/09/19 14:26

Com os resultados mais fracos da atividade econômica nos dois primeiros trimestres de 2019, a projeção de crescimento do PIB do estado do Rio foi revisada pela metade. Após três anos consecutivos de retração (de 2015 a 2017) e crescimento modesto em 2018, a projeção, elaborada pela Firjan, atingiu 0,8%. No primeiro trimestre, o percentual estimado era de 1,6%, em um cenário reformista e com recuperação mais consistente.

“Os setores produtivos apresentaram fraco resultado nos primeiros seis meses do ano. A revisão da projeção é fruto da lenta recuperação no mercado de trabalho e na demanda, além da elevada volatilidade da confiança de empresários e de consumidores, que resultaram na postergação de decisões de investimentos”, explica Tomaz Leal, analista de Estudos Econômicos da federação.

Ainda assim, de acordo com Leal, projetam-se alguns impactos positivos a partir de iniciativas políticas, como a liberação de recursos do FGTS, que podem estimular a economia no curto prazo. “Por outro lado, caso as reformas estruturais em andamento no Congresso Nacional não avancem, isso pode contribuir para uma redução da produção e dos investimentos na economia fluminense no último semestre do ano”, alerta.

Indústria extrativa como destaque

Em comparação com os três primeiros meses desse ano, o PIB no segundo trimestre se manteve estável, na série com ajuste sazonal. Já em relação ao mesmo trimestre de 2018, observou-se crescimento de 0,8% no PIB do estado. Entre os setores, a indústria (+1,4%) foi a principal responsável pelo crescimento no período.

A indústria extrativa fluminense apresentou bom desempenho no segundo trimestre, apoiada na retomada do mercado de Petróleo e Gás (P&G), principalmente com o crescimento das atividades da Petrobras. A perspectiva é de que o setor avance 3,1% em 2019. Em contrapartida, a indústria de transformação apresentou queda de 2,2%, com redução na produção dos setores de refino, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e metalurgia.

A construção (+0,5%) também apresenta perspectiva de recuperação, após cinco anos consecutivos de queda. A indústria de transformação e o setor de serviços, nesse cenário, devem seguir apresentando uma recuperação lenta da atividade, a depender da evolução no mercado de trabalho e da execução dos investimentos no setor de P&G.

Na capital, o mercado de trabalho seguiu com saldo líquido negativo (3.800 vagas), assim como observado no mesmo período de 2018. O município do Rio de Janeiro concentra mais de 50% do PIB estadual e tem na atividade de serviços a principal componente do PIB. Mais dependente do consumo local, o setor segue impactado pela elevada taxa de desemprego.

A retomada da indústria extrativa teve impactos positivos para o estado, contudo seus efeitos ainda estão restritos a poucas atividades produtivas e às regiões produtoras.  Entre as regiões, vale destacar a Leste, que voltou a abrir postos de trabalho no segundo trimestre de 2019, sobretudo na indústria da construção e nas atividades de coque e derivados de petróleo e biocombustíveis; e a região Norte Fluminense, que também abriu vagas na indústria da construção.

Marcius Ferrari, gerente geral da Focus Engenharia, que presta serviço para o mercado de P&G no Leste Fluminense, e preside o Sindicato RJ Metal, afirma que a expectativa do segmento é de um terceiro trimestre promissor. "A demanda de serviços aumentou e muitas empresas estão contratando. Além disso, alguns destaques previstos para o final do ano prometem aquecer ainda mais o setor, com a desregulamentação do gás e a rodada de negócios da ANP", ressalta.

A retomada da construção das unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO) seria, segundo Ferrari, extremamente importante para o Rio de Janeiro: "Isso movimentaria bastante a economia do estado em função dos estaleiros que estão sediados aqui e fortaleceria toda cadeia do setor".

 
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