O Conselho Empresarial de Energia Elétrica da Firjan, reuniu-se nesta quinta-feira (21/5), na sede da federação, para debater a capacidade do setor de energia nuclear fluminense. O tema é considerado de fundamental relevância para alavancar a capacidade produtiva da indústria do Estado do Rio. O presidente do Conselho, Antonio Vilela, destacou o fato de a energia nuclear ser a segunda maior fonte em capacidade instalada de geração de energia elétrica no país.
Para trazer mais luz ao debate e analisar definições políticas e regulatórias para solucionar o impasse em torno das obras da usina de Angra 3, a Firjan convidou Leonardo Paredes, analista nuclear e gerente de projetos de tecnologias sensíveis da Framatome, empresa francesa e líder internacional na indústria de energia nuclear, e Adeilson Ribeiro Telles, o atual presidente da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Também estavam presentes especialistas dos setores privado e público e membros do conselho.
Vilela destacou a importância de escutar todos os atores envolvidos. “Ouvimos a visão da Nuclep, que é alinhada com o Poder Executivo, mostrando a posição favorável à finalização da Usina Angra 3. E ouvimos o lado privado, com o Leonardo, além dos membros conselheiros presentes”, observou.
Angra 3
O Conselho reforça a importância da elaboração de estudos e notas técnicas que reforcem as prioridades para o desenvolviento do estado, como os investimentos na retomada de Angra 3, destacou o presidente do Conselho. Vale lembrar que as obras estão paralisadas desde 2015. O projeto, que tem cerca de 65% de conclusão, aguarda definições do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Vilela destacou que é preciso vontade política para levar a discussão adiante. “Falta 35% para acabar a obra. Vamos abadonar a obra? Isso tem um valor em bilhões. Vamos em frente, vamos terminar”, disse, acrescentando que o custo de manter a obra parada é semelhante ao investimento para concluí-la.
Cenário global
Leonardo Paredes expôs as perspectivas globais sobre fonte nuclear, destacando que a matriz voltou ao centro do debate climático global após 22 países se comprometerem na COP 28 a triplicar suas capacidades nucleares até 2050. Paredes acredita que o Brasil tem estrutura para alavancar neste segmento. Ele apresentou, ainda, os três pilares que baseiam o modelo de sucesso da indústria nuclear francesa e que devem nortear o planejamento de grandes projetos.
“Capacidade técnica e formação de mão de obra qualificada; cadeia de suprimentos fortalecida, que gera a capacidade de fornecimento industrial para responder às exigências de engenharia e fabricação de componentes pesados e de alta qualificação; e a soberania, uma vez que a centralização e o domínio interno das competências industriais estratégicas garantem a segurança e a continuidade dos projetos de infraestrutura”, explicou.
Reforçando o panorama industrial do setor, Adeilson Ribeiro, representante da Nuclep, apresentou as capacidades produtivas e logísticas da fábrica em Itaguaí, ressaltando o papel da companhia no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e na fabricação de componentes nucleares de caldeiraria pesada, que dependem diretamente de seu terminal portuário privado para o escoamento. Ribeiro pontuou que o setor nuclear enfrentou períodos de descontinuidade no mundo inteiro, mas que o cenário atual exige a superação de estigmas históricos.
Próximos passos e agenda institucional
Como parte da estratégia de atuação em defesa dos interesses industriais fluminenses, o Conselho de Energia Elétrica da Firjan confirmou a viagem institucional a Brasília na próxima semana. As lideranças empresariais do Rio de Janeiro cumprirão agenda no Congresso Nacional e com o secretário Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia.
O objetivo da missão interinstitucional será apresentar as pautas do setor produtivo do Rio de Janeiro, com foco na cobrança por transparência regulatória, melhoria contínua da qualidade do fornecimento e fortalecimento da agenda de competitividade em um ano marcado por debates estratégicos no setor elétrico.