
Presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano e o vice-presidente regional da federação, Waldir dos Santos Junior, debateram o estudo com os empresáriosFoto: Paula Johas / Firjan
O estudo “Rio de futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro” foi tema central da reunião do Conselho Empresarial Firjan Centro-Sul Fluminense nesta quarta-feira, 25/2. Elaborada pela Firjan, a análise lançada em dezembro de 2025 visa orientar um novo ciclo de desenvolvimento para o estado, identificando as vocações econômicas do Rio. Ao lado do vice-presidente regional da federação, Waldir dos Santos Junior, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano enfatizou com os empresários do conselho o propósito do estudo, que evidencia as potencialidades que despontam como novas oportunidades de expansão e, na ocasião, falou especificamente para a região Centro-Sul do estado.
Durante o encontro com os empresários do Centro-Sul, o presidente da federação enfatizou que o relatório não apenas identifica os desafios, como também mapeia as vocações industriais atuais e potenciais. “Com base na análise dos indicadores, o estudo traça recomendações estratégicas para cada região. O foco é orientar uma agenda de desenvolvimento industrial sustentável, competitiva e diversificada, a fim de criar um ambiente favorável para investimentos e geração de empregos de qualidade”, reiterou Luiz Césio Caetano, destacando durante o debate com os empresários, o desafio para a melhoria no fornecimento de energia elétrica na região e ações em apoio que a federação tem adotado junto ao poder público e concessionárias.
No que se refere às vocações do Centro-Sul, o estudo aponta a estrutura e o dinamismo que a atividade industrial oferece para a economia local. Mesmo tendo o 2º menor PIB do ranking estadual, a região se destaca pela contribuição do setor da indústria para o desenvolvimento local. A Indústria representa 38% do PIB do Centro-Sul, estando acima da média do Rio, 27%.
Essa é mais uma ferramenta que colocamos à disposição do empresário e do poder público, com propostas estruturadas, para a implementação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da indústria no interior do estado. Luiz Césio Caetano
O setor é responsável por 22% dos empregos formais, estando acima do índice do estado (17%). O Centro-Sul também possui índice de estabelecimentos industriais superior ao do estado, sendo de 10% na região, ante os 7% do Rio. O fator logístico é outro ativo estratégico diante da proximidade com Minas Gerais, o que garante infraestrutura para o escoamento da produção, redução de custos e integração de mercados.
O estudo evidencia uma atividade industrial consolidada, com importante atuação no setor Metalúrgico, Químico, de Alimentos e Bebidas e da Construção Civil. “Temos importantes atividades com grande potencial de desenvolvimento. Esse estudo faz um panorama do estado e contribui para que melhor identifiquemos os setores de grande relevância para a economia no interior do estado, de forma que os investimentos sejam destinados para vocações locais”, destacou o vice-presidente do Centro-Sul Fluminense, Waldir dos Santos Junior, enfatizando que a partir da análise das vocações de cada região será possível avançar na melhoria do ambiente de negócio, com geração de empregos e consequentemente, mais qualidade de vida para a população.
Com uma base diversificada, a indústria é responsável por dois terços de todos os empregos formais gerados no Centro-Sul Fluminense. A indústria de plástico tem na região o segundo maior polo do Rio, além de sediar atividades de alta complexidade, como a manutenção e reparo de motores de aeronaves, além da agroindústria ativa. E, para garantir mão de obra para atuar nos setores industriais, a região tem investido na qualificação profissional. Tem a segunda maior taxa do Rio de Janeiro, 43%, em matrículas no ensino técnico, enquanto no estado, esse índice é de 30%.

Empresários reforçaram a necessidade de melhorias no fornecimento de energia elétrica na região durante o debate com o presidente da Firjan
Agroindústria e setor aeroespacial são potenciais no Centro-Sul
No Centro-Sul, que compreende as cidades de Areal, Comendador Levy Gasparian, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, São José do Vale do Rio Preto, Sapucaia e Três Rios, a Agropecuária Regional é uma das vocações que atualmente se destacam com a produção de café e avicultura. No setor de Alimentos e Bebidas, a produção de cerveja, refrigerantes, água mineral, cachaça e o processamento de leite agregam valor à agroindústria, gerando renda e emprego.
As atividades locais são apontadas com potencial para integração com o turismo e gastronomia, possuindo ainda áreas ambientais, trilhas e patrimônios culturais que contribuem para a diversificação econômica. A região apresenta capacidade de expansão produtiva, com a disponibilidade de áreas para a criação de distritos industriais e galpões logísticos, favorecendo novos investimentos.
No Centro-Sul identificamos potencialidades em diferentes setores de grande relevância para a economia do Rio de Janeiro. Jonathas Goulart
O setor aeroespacial, com destaque para a atividade de Manutenção, Reparo e Operações (MRO) de turbinas, motores, estruturas aeronáuticas e sistemas embarcados, é uma das potencialidades do Rio. O Centro-Sul ganha lugar nessa atuação por ter em Três Rios uma das bases para essa atividade no estado, juntamente com Petrópolis (Região Serrana) e Duque de Caxias (Baixada).
“O estudo pretende desenhar caminhos que contribuam para transformar as vocações do estado em desenvolvimento real. Esperamos que essa análise contribua para o estabelecimento de medidas e políticas públicas que favoreçam o crescimento da atividade industrial na região e no estado como um todo”, ressaltou o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, enfatizando que os pontos de atenção no que se refere à melhoria da gestão fiscal, maior estabilidade para o fornecimento de energia elétrica e profissionalização de jovens.
Além da visão consolidada do Rio de Janeiro, o estudo analisou cada uma das dez regiões do estado, o que resultou em cadernos específicos para o Leste, Norte, Centro-Norte, Noroeste, Serrana e Baixada Fluminense. Ao todo, foram identificadas 105 vocações industriais no estado, entre as quais 38 são dinâmicas, 32 estáveis e 35 potenciais, indicando uma base produtiva em transformação. Foram traçadas nove potencialidades para a expansão em múltiplas frentes.
O “Rio de futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro”, que pode ser conferido no Observatório Firjan, tem como base uma análise de 270 mil indicadores e a escuta de mais de 200 especialistas, que contribuíram para identificar as vocações e potencialidades do Rio.