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Economia do Rio

Entraves estruturais geram custo adicional de R$ 275 bilhões às empresas fluminenses, aponta Firjan

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Publicado em 24/05/2026 22:10  -  Atualizado em  25/05/2026 08:25

O estudo “Custo Rio – O Desafio da Competitividade Fluminense”, elaborado pela Firjan, revela que entraves estruturais fazem com que empresários fluminenses paguem, ao ano, R$ 274,8 bilhões a mais do que, em média, pagam os empreendedores dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O Rio de Janeiro tem diversos ativos considerados grandes diferenciais competitivos, mas também diversos gargalos que encarem a entrada das empresas no mercado, a produção e o investimento. Esse estudo tem o objetivo de mensurar o chamado “Custo Rio” e contribuir com a construção de uma agenda de competitividade para o estado”, ressalta o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.

Acesse o estudo Custo Rio

Com base em dados oficiais de 2025, a análise aborda os principais entraves da economia fluminense, organizados em seis eixos temáticos: ambiente jurídico-regulatório, tributação, capital humano, infraestrutura, segurança pública e financiamento. Esses eixos são desdobrados em 18 indicadores que capturam diferentes dimensões do ambiente de negócios.

Além da comparação com os países da OCDE, a metodologia permite avaliar, em cada um dos eixos, o posicionamento do Rio de Janeiro em relação aos demais estados brasileiros considerando o custo relativo – valor nominal ponderado pelo Produto Interno Bruto (PIB) de cada unidade da federação.

De acordo com a análise, a tributação tem o maior peso nos negócios fluminenses. O custo adicional para as empresas instaladas no Rio de Janeiro é de R$ 93,1 bilhões ao ano, em comparação aos padrões observados nos países da OCDE. Entre os estados brasileiros, possui o 13º maior custo relativo nesse eixo. Além da informalidade e da elevada carga tributária que oneram a operação, o estudo destaca a complexidade do sistema, que faz com que as empresas tenham que mobilizar grande volume de recursos para atuar dentro das exigências.

No eixo ambiente jurídico-regulatório - composto pelos indicadores de eficácia da regulação, interferência estatal, efetividade jurídica e regulação de patentes para inovação – o custo adicional às empresas fluminenses é de R$ 42,8 bilhões ao ano, em relação à média dos membros da OCDE. Segundo a Firjan, a imprevisibilidade institucional faz com que o estado do Rio de Janeiro ocupe a 8ª posição entre os estados brasileiros com maior custo relativo associado a entraves jurídicos e regulatórios.

Infraestrutura e capital humano no RJ: gargalos relevantes frente
à OCDE, mas diferenciais competitivos na comparação nacional


No eixo Infraestrutura, o custo adicional é de R$ 40,6 bilhões ao ano às empresas fluminenses, em comparação com os países da OCDE. O Rio de Janeiro ocupa a 24ª posição nacional nesse eixo — o quarto menor custo relativo do país —, reforçando que a infraestrutura figura entre os eixos mais competitivos do estado. Os indicadores de custo logístico e de custo de infraestrutura de telecomunicações são os que apresentam os melhores resultados frente aos demais estados brasileiros.

Porém, o custo do gás natural, por exemplo, é um indicador que demanda atenção pela falta de competitividade. Mesmo concentrando uma das principais cadeias de óleo e gás, a tarifa média praticada no estado do Rio de Janeiro é quase 30% superior à média observada nos demais estados do Sudeste.

Na análise relacionada à capital humano, o custo adicional no estado do Rio de Janeiro - compreendendo habilidades da força de trabalho, encargos trabalhistas e judicialização trabalhista - é estimado em R$ 35,3 bilhões ao ano, frente à média dos países da OCDE. Apesar do valor expressivo, o estado ocupa a 25ª posição no ranking nacional desse eixo — o terceiro menor custo relativo entre os estados brasileiros. Essa é a melhor posição do Rio de Janeiro entre todos os eixos analisados no estudo.

Financiamento e segurança pública no RJ:
entraves em relação à OCDE e aos estados brasileiros


O financiamento, que inclui o custo do risco-estado e o custo do spread da dívida, gera custo adicional de R$ 31,9 bilhões ao ano às empresas fluminenses, em relação à média dos países da OCDE. Na comparação com os demais estados brasileiros, o Rio de janeiro ocupa a 2ª posição – a pior colocação do estado entre todos os eixos analisados.

Já no eixo segurança pública, levando em consideração os indicadores de custo da insegurança e de ilegalidade, a perda econômica é estimada em R$ 31,1 bilhões ao ano às empresas fluminenses, frente à média dos países desenvolvidos. Na análise nacional, o estado ocupa a 7ª posição.

“Para aumentar a competitividade das empresas fluminenses precisamos enfrentar esses gargalos com coordenação entre políticas públicas, simplificação tributária, melhoria regulatória, segurança jurídica, ampliação da infraestrutura, fortalecimento institucional e redução das incertezas que afetam decisões empresariais”, reforça o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart.

 
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