
Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan (ao microfone)Foto: Vinícius Magalhães
Na contagem regressiva para a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, um encontro na sede da Editora Globo, no Centro, promoveu um debate sobre as oportunidades e desafios para o Brasil nos próximos anos. Realizado pelos jornais O Globo e Valor, com o apoio da Firjan, o Download Hannover Messe 2026 reuniu executivos que estiveram na maior feira de tecnologia industrial do planeta para fazer um balanço sobre o papel do país na agenda global da indústria.
Participaram do painel o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano; o diretor-executivo de Desenvolvimento de Negócios da Câmara Brasil-Alemanha (AHK), Bruno Vath Zarpellon; o gerente executivo de Relacionamento Institucional da Petrobras, Francisco Vervloet; o CEO global da Stefanini Manufacturing, Gustavo Brito; e o vice-presidente jurídico de Relações Governamentais e Sustentabilidade da Siemens, Luis Mosquera. A mediação foi do jornalista João Sorima, de O Globo.
Os debatedores compartilharam suas experiências na Hannover Messe 2026. Realizado entre 20 e 24/4, na Alemanha, o evento teve o Brasil como país parceiro pela primeira vez e contou com a presença de uma delegação da Firjan IEL, composta por oito lideranças sindicais do setor metalmecânico fluminense.
Luiz Césio Caetano destacou que, devido ao momento geopolítico, países europeus buscam novas parcerias, bem como soluções para problemas, como a crise energética gerada por guerras. Caetano também ressaltou a importância da aproximação da indústria brasileira com empresas de tecnologia do mundo em evento internacional, sobretudo quando estamos às vésperas da entrada em vigor do acordo de livre comércio, que terá início nesta sexta-feira (1/5).
“A feira foi um marco para a indústria do Estado do Rio, sobretudo com o Brasil como país-parceiro, e alavancou nosso entendimento sobre o papel da indústria brasileira na atual conjuntura. Estamos diante da vanguarda tecnológica de inovação e robótica avançada, e o nosso papel é identificarmos oportunidades de negócios, mas também os gargalos para o desenvolvimento”, afirmou Caetano.
No entanto, o presidente da federação ressaltou que, para que o país esteja apto para realizar parcerias favorecidas pelo acordo Mercosul-União Europeia, é fundamental resolver problemas de infraestrutura, segurança jurídica e acesso ao crédito para tecnologia e inovação.
Qualificação de mão de obra
Caetano se mostrou entusiasmado com o acordo de cooperação técnica entre o CNI e a Volkswagen para formação profissional alinhada às transformações da indústria, tendo em vista que a empresa possui uma unidade em Resende, no Sul do Estado. Ele também destacou que a Firjan SENAI SESI está capacitando os profissionais que estão entrando no mercado para lidar com a mais alta tecnologia.
“No ano passado, inauguramos um centro de referência de TI e comunicação na Cidade Nova. São 2,5 mil metros quadrados com 20 cursos em pilares como ciência de dados em ambientes de IA, ambientes de rede, cibersegurança, entre outros”, destacou, referindo-se ao DigiTech Firjan SENAI.
Trunfos brasileiros
O diretor-executivo de Desenvolvimento de Negócios da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, Bruno Vath Zarpellon, abriu o evento destacando o potencial de parcerias estratégicas entre os dois países. Segundo ele, o Brasil se sobressai pela oferta de biocombustíveis e o potencial do hidrogênio, além de possuir a maior reserva mundial de terras raras. Ele ressaltou ainda o protagonismo nacional em inovação, citando o crescente ecossistema de startups no país.
“Temos agora juntos uma das maiores populações globais. Então, como vamos conseguir aproveitar isso? Eu acho que nós vamos ter todas as respostas ainda. A própria Câmara Brasil-Alemanha está contratando um estudo com uma consultoria para entender lá na ponta qual vai ser o retorno sobre tudo isso. Tanto o acordo entre Mercosul e União Europeia quanto a aplicação de um novo acordo que evite a bitributação entre o Brasil e a Alemanha são pautas fortes”, observou Zarpellon.
No painel, o gerente executivo de Relacionamento Institucional da Petrobras também citou a segurança energética e a baixa pegada de carbono como pontos fortes do país.
“O Brasil se coloca como um parceiro muito confiável e com competências comprovadas, porque tem um setor agro absolutamente competitivo. Eu diria um setor agroenergético, porque também é capaz de produzir energia com conteúdo renovável de forma competitiva e ajudar a suprir essas necessidades de segurança e de transição energética”, acrescentou Vervloet.
Já o CEO global da Stefanini Manufacturing acredita que o Brasil pode protagonizar a transição energética, por meio da eletrificação e descarbonização. Para ele, a tecnologia brasileira pode ajudar a endereçar e acelerar esse movimento.
O vice-presidente jurídico de Relações Governamentais e Sustentabilidade da Siemens afirmou que a Hannover Messe 2026 consolidou o Brasil no centro do mapa geopolítico mundial, encerrando um ciclo estratégico iniciado em 2024. “Começamos lá atrás, em 2024, com o G20, focado na transição digital; seguimos com a COP30, em 2025, debatendo o desenvolvimento sustentável; e agora, em Hannover, o foco foi a indústria. Sabemos que ela é a espinha dorsal do desenvolvimento de um país”, disse.