Num passado recente, as indústrias automotivas e da construção civil foram pioneiras na utilização de softwares com base em CAD (Desenho Assistido por Computador, em tradução livre do inglês), promovendo maior velocidade no desenvolvimento de projetos e protótipos. O aperfeiçoamento desses programas permitiu outras aplicações, como os jogos eletrônicos e até a indústria da moda. Nos dias de hoje, temos programas que permitem a criação de vestuário, com ferramentas precisas de modelagem e simulação virtual; e toda essa inovação é o cartão de visitas de uma revolução de processos no segmento.
Na terça-feira (05/10), o Aquário Casa Firjan promoveu o debate “Como a moda virtual transforma a indústria e cria tendências de consumo digital?”, que reuniu os debatedores Akihito Hira, especialista no SENAI CETIQT, e David Benalcázar Chang, fundador da hol - digital fashion house, com a mediação de Nathalia Coelho, pesquisadora do Lab de Tendências da Casa Firjan e designer de moda.
Equatoriano radicado no Brasil, Chang destaca a versatilidade das ferramentas digitais na redução de custos da indústria têxtil – o processo torna-se mais rápido, eliminando o desperdício de matéria-prima, e os criadores de moda podem testar formas e ideias diferentes para criar roupa.
“Ao criar coleções, conhecendo as pessoas primeiro,fazemos com que esses produtos possam ser experiências customizáveis numa cadeia de negócios por demanda, sem a necessidade de formar grandes estoques”, destaca o empresário, lembrando que esse processo também vale para os fornecedores das grifes, as empresas que produzem tecidos, aviamentos e outros insumos.
O especialista do SENAI CETIQT enxerga nessas inovações uma nova forma de encarar o mercado da moda. “O modelo de negócios das marcas deverá preconizar uma customização em massa, o que vai ao encontro do desejo do consumidor, e adota práticas sustentáveis numa indústria tradicionalmente poluidora”, prevê Hira.
Além do consumo consciente, os debatedores acrescentam que as peças criadas virtualmente são excelentes ferramentas de promoção das marcas através de ensaios fotográficos produzidos a partir de filtros. “Não temos mais como fugir da digitalização, pois ela só traz benefícios”, avalia o especialista.
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