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Firjan: gastos do estado estão na contramão das demandas da população

Novo ocupante do Palácio Guanabara terá que rever alocação de recursos, indicam pesquisas

Novo ocupante do Palácio Guanabara terá que rever alocação de recursos, indicam pesquisasFoto: Carlos Magno / Governo do Estado do Rio de Janeiro

09/10/18 12:43  -  Atualizado em  09/10/18 17:13

O cruzamento de dois estudos da Firjan – o Diagnóstico do Estado do Rio e a Pesquisa Orçamento Firjan-Ibope junto à população fluminense – revela a existência de dois mundos paralelos: aquele demandado pelos habitantes e a realidade da alocação dos recursos. “Ficou claro que existe um descasamento brutal entre as prioridades de alocação de recursos do estado em relação às necessidades da população”, afirmou o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

A pesquisa, encomendada pela federação ao Ibope Inteligência, teve por objetivo identificar as prioridades da sociedade em relação ao orçamento do governo estadual. Segundo o levantamento, elas são, nesta ordem: Saúde, Educação, Segurança Pública, Geração de Emprego e Renda, Saneamento e Transportes. O Diagnóstico do Estado do Rio, porém, mostrou que, juntas, em 2017, essas áreas receberam apenas 36,7% do orçamento. Enquanto isso, a maior parte das verbas estaduais (62%) foi destinada ao custeio da Máquina pública e à Previdência.

O levantamento com a população fluminense foi feito no mês de junho. Houve 1.204 entrevistas presenciais e domiciliares, com pessoas de idade superior a 18 anos, em 37 municípios. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira (09/10).
Em paralelo, a Firjan elaborou o diagnóstico sobre os gastos públicos, a fim de comparar os resultados. “É urgente a discussão sobre a alocação eficiente do orçamento estadual, e isso passa por considerar as prioridades e necessidades da população”, enfatiza Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da federação.

Pauta para os candidatos e a sociedade

O diagnóstico mostra que a Previdência Social está voltada para atender apenas 1% da sociedade fluminense. “Esse gasto impacta brutalmente o restante da população. Hoje, 35% dos jovens do estado, de 18 a 24 anos, estão desempregados. É preciso dar emprego, educação de qualidade a esses jovens; dar dignidade às famílias que precisam de saúde, de saneamento básico. Não resolver o problema da Previdência é socialmente injusto e imoral”, cobra o presidente da Firjan. 

 

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Eduardo Eugenio e Jonathas Goulart apresentaram os dados dos estudos | Foto: Paula Johas

 

Segundo os dados divulgados pela Firjan, 90% dos entrevistados destinariam a maior parcela do orçamento do estado à Saúde Pública. Porém, o setor recebeu do governo apenas 9,2% das verbas, em 2017. Para metade das pessoas ouvidas, o governo deveria deixar de gastar em primeiro lugar com a máquina pública e, em segundo, com a Previdência.
Mas a realidade é bem diferente. O estado descumpriu, por exemplo, o mínimo estabelecido na Constituição para a área de Saúde*. Além disso, ultrapassou os limites legais para endividamento e despesas com pessoal.

Como resultado, destaca Goulart, faltam recursos para direcionar a outras áreas. “A população fluminense tem enfrentado, a cada dia, as consequências da dificuldade que o estado do Rio demonstra na alocação mais eficiente dos recursos. E, de fato, houve piora nas áreas prioritárias para a população”, afirma. “Num ambiente em que a crise fiscal impõe dificuldades para a gestão do orçamento, a priorização alinhada com os anseios da sociedade precisa ser o objetivo do novo governo”, conclui o economista da Firjan.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), por exemplo, ficou abaixo da meta estabelecida para 2017 e retrocedeu a níveis próximos ao de 2011. Além disso, outras despesas encolheram de tamanho, como o Bilhete Único, que de 2014 a 2017 sofreu um corte de 38%; e os investimentos na UERJ, que reduziu em 46%.

Segundo Eduardo Eugenio, os estudos da Firjan têm entre seus objetivos pautar a discussão do problema no momento em que se aproxima o segundo turno das eleições para o governo do Rio de Janeiro. “A luz vermelha foi acesa. A sociedade precisa entender o que é preciso ser levado em consideração. E os candidatos precisam focar nisso também”, afirma.

Acesse os dados completos do Diagnóstico do Estado do Rio e da Pesquisa Orçamento Firjan-Ibope.

 
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