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Indústria de confecções de Nova Friburgo toma fôlego e registra mais pedidos do que o esperado

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Publicado em 07/10/20 14:58  -  Atualizado em  07/10/20 15:12

Reportagem da Carta da Indústria

Fornecedores da Região Serrana do Rio e empresários de confecções do polo de moda íntima de Nova Friburgo têm registrado um aquecimento nas vendas maior do que o esperado, desde julho. O setor empresarial acredita que o aumento se deva à alta do dólar, que inviabiliza as importações, seja de produtos finais, seja de matéria-prima, o que acaba levando o consumidor a optar mais pelo mercado interno. 

“A suspensão da importação e o câmbio desfavorável ajudam a indústria nacional. O mercado interno se abastece com mais rapidez, faz-se um planejamento de menor prazo. A expectativa é de melhora nas vendas internas, porque há muita demanda”, ressalta Neucileia Layola Porto, dona da Lucitex Confecções.

Nova Friburgo é considerada a maior produtora de moda íntima e lingerie do país, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). “O mercado nacional se vê diante de uma oportunidade de ampliar os negócios, uma vez que polos internacionais fornecedores de lingerie se mantêm fechados, como a China. Temos sido procurados por compradores de Santa Catarina, Goiás e Fortaleza, que estão desabastecidos. Os magazines e redes estão na mesma situação e vêm abastecendo os seus estoques no mercado interno também”, conta Marcelo Porto, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest), que agrega também os municípios vizinhos.

A hora da virada

Em 23 de março, a prefeitura de Nova Friburgo decretou o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais e industriais, por ocasião da pandemia. Em abril, as confecções que passaram a produzir equipamentos de proteção industrial (EPIs) foram liberadas para funcionar com 50% de capacidade. Entre as encomendas, estavam 800 mil máscaras que seriam distribuídas pela prefeitura para a população.

No dia 01/07, foi criado um plano de reabertura gradual e segura das atividades, que tinha como métrica reguladora a taxa média de ocupação dos leitos de CTI/UTI para o tratamento de casos da Covid-19, com base numa escala de bandeiras, nas cores vermelha, laranja, amarela e verde. A retomada passou a obedecer a essa escala, que já sofreu alterações desde então. Neste mês de setembro, o município funciona com a bandeira amarela, o que significa que indústria e comércio operam com 80% de sua capacidade produtiva. “Chegamos a trabalhar alguns dias com a fabricação de EPIs, mas na época muitos preferiram não reabrir. Outros anteciparam ou deram férias coletivas, para não ter que demitir, ou tiveram de fechar as portas naquele momento”, lembra Neucileia.

INDÚSTRIA DA MODA EM FRIBURGO
797 empresas formais
9.510 empregos diretos e indiretos
Fonte: Firjan

Apesar da boa notícia do aquecimento das vendas, os empresários de confecções sabem que a retomada é lenta, com restrição de importações e fábricas paradas. A situação acaba gerando um aumento de demanda do mercado interno maior do que a indústria nacional pode suprir. Eles observam com reserva esse quadro, que reflete a demanda reprimida na pandemia.

“Esse aumento já era esperado, porque ficamos quatro meses sem produzir. O volume tem, sim, superado as expectativas, mas a perda foi muito grande, e conseguir terminar o ano com as contas equilibradas já é motivo de agradecimento para muitos”, pondera Claudio Cariello, diretor da CCM, confecção de roupa esportiva que registrou expansão de vendas tanto nas lojas físicas quanto no comércio eletrônico.

Negociações 

Segundo Porto, os empresários estão precisando se adaptar, já que a crise mexe com os fornecedores de matéria-prima. Fundamental na produção da lingerie, o fio de elastano, por exemplo, teve uma alta que oscilou entre 8% e 35% desde março.

Neucileia, por sua vez, também observa a alta dos preços e cita outro ponto de atenção: poder contar com mão de obra qualificada para atender aos pedidos. “Vencidas as dificuldades do momento inicial, veio a alta do preço. Trabalhávamos com fios de poliamida e de elastano, que são importados. Além disso, agora tem a questão da mão de obra. Poucas são as profissionais com qualificação para a costura, porque, de alguma forma, a profissão ficou subvalorizada”, avalia.

Mesmo considerando o custo da matéria-prima, Rodrigo Bittencourt, gestor da Very Chic Lingerie, aposta nos próximos meses. “Hoje o maior vilão é a matéria-prima, porque há muita demanda e os preços estão altos. De qualquer forma, o mercado tem tudo para se recuperar porque está muito favorável. Esperamos que a recuperação seja acelerada em outubro e novembro, quando teremos o faturamento do que foi fabricado em agosto e setembro e uma produção mais ajustada”.

Mercado mais sustentável

Tendo a manutenção do quadro de funcionários como filosofia, muitas empresas da região fizeram um esforço para evitar demissões na pandemia. Uma delas é a Werner Tecidos, de Petrópolis. Fundada em 1904, a tecelagem produz matéria-prima para a alta moda, tendo como clientes grandes marcas brasileiras, como Animale e Le Lis Blanc. Isadora Landau Remy, vice-presidente, observa uma mudança no perfil de sua clientela nessa retomada, quando passou a ser procurada por jovens empreendedores, com mentalidade voltada para a sustentabilidade, a responsabilidade social e as novas formas de consumo.

“Trabalhamos com tecidos nobres, que há 40 anos abasteciam os ateliês de alta costura e depois passaram a servir às grandes marcas. Entre os clientes que nos procuram em plena pandemia, a maioria é formada por jovens que repensam o modelo de negócio da cadeia têxtil e seus impactos ao meio ambiente. São pessoas que apostam na matéria-prima de qualidade, durável, com valor agregado, e no uso de fibras naturais, que é a nossa proposta. Esse é o grande diferencial frente ao produto chinês, por exemplo, que aposta no poliéster, enquanto a Werner trabalha com seda, algodão orgânico e fibras”, explica ela, sinalizando um futuro mais sustentável pós-pandemia.

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