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Economia do Rio

Entraves estruturais geram custo adicional de R$ 275 bilhões às empresas fluminenses, aponta Firjan

Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, no lançamento do estudo Custo Rio

Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, no lançamento do estudo Custo RioFoto: Paula Johas

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Publicado em 24/05/2026 22:10  -  Atualizado em  01/06/2026 11:12

O estudo “Custo Rio – O Desafio da Competitividade Fluminense”, elaborado pela Firjan, revela que entraves estruturais fazem com que empresários fluminenses paguem, ao ano, R$ 274,8 bilhões a mais do que, em média, pagam os empreendedores dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O Rio de Janeiro tem diversos ativos considerados grandes diferenciais competitivos, mas também diversos gargalos que encarecem a entrada das empresas no mercado, a produção e o investimento. Esse estudo tem o objetivo de mensurar o chamado “Custo Rio” e contribuir com a construção de uma agenda de competitividade para o estado”, ressalta o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.

Acesse o estudo Custo Rio

Com base em dados oficiais de 2025, a análise aborda os principais entraves da economia fluminense, organizados em seis eixos temáticos: ambiente jurídico-regulatório, tributação, capital humano, infraestrutura, segurança pública e financiamento. Esses eixos são desdobrados em 18 indicadores que capturam diferentes dimensões do ambiente de negócios.

Além da comparação com os países da OCDE, a metodologia permite avaliar, em cada um dos eixos, o posicionamento do Rio de Janeiro em relação aos demais estados brasileiros considerando o custo relativo – valor nominal ponderado pelo Produto Interno Bruto (PIB) de cada unidade da federação.

De acordo com a análise, a tributação tem o maior peso nos negócios fluminenses. O custo adicional para as empresas instaladas no Rio de Janeiro é de R$ 93,1 bilhões ao ano, em comparação aos padrões observados nos países da OCDE. Entre os estados brasileiros, possui o 13º maior custo relativo nesse eixo. Além da informalidade e da elevada carga tributária que oneram a operação, o estudo destaca a complexidade do sistema, que faz com que as empresas tenham que mobilizar grande volume de recursos para atuar dentro das exigências.

No eixo ambiente jurídico-regulatório - composto pelos indicadores de eficácia da regulação, interferência estatal, efetividade jurídica e regulação de patentes para inovação – o custo adicional às empresas fluminenses é de R$ 42,8 bilhões ao ano, em relação à média dos membros da OCDE. Segundo a Firjan, a imprevisibilidade institucional faz com que o estado do Rio de Janeiro ocupe a 8ª posição entre os estados brasileiros com maior custo relativo associado a entraves jurídicos e regulatórios.

Infraestrutura e capital humano no RJ: gargalos relevantes frente
à OCDE, mas diferenciais competitivos na comparação nacional


No eixo Infraestrutura, o custo adicional é de R$ 40,6 bilhões ao ano às empresas fluminenses, em comparação com os países da OCDE. O Rio de Janeiro ocupa a 24ª posição nacional nesse eixo — o quarto menor custo relativo do país —, reforçando que a infraestrutura figura entre os eixos mais competitivos do estado. Os indicadores de custo logístico e de custo de infraestrutura de telecomunicações são os que apresentam os melhores resultados frente aos demais estados brasileiros.

Porém, o custo do gás natural, por exemplo, é um indicador que demanda atenção pela falta de competitividade. Mesmo concentrando uma das principais cadeias de óleo e gás, a tarifa média praticada no estado do Rio de Janeiro é quase 30% superior à média observada nos demais estados do Sudeste.

Na análise relacionada à capital humano, o custo adicional no estado do Rio de Janeiro - compreendendo habilidades da força de trabalho, encargos trabalhistas e judicialização trabalhista - é estimado em R$ 35,3 bilhões ao ano, frente à média dos países da OCDE. Apesar do valor expressivo, o estado ocupa a 25ª posição no ranking nacional desse eixo — o terceiro menor custo relativo entre os estados brasileiros. Essa é a melhor posição do Rio de Janeiro entre todos os eixos analisados no estudo.

Financiamento e segurança pública no RJ:
entraves em relação à OCDE e aos estados brasileiros


O financiamento, que inclui o custo do risco-estado e o custo do spread da dívida, gera custo adicional de R$ 31,9 bilhões ao ano às empresas fluminenses, em relação à média dos países da OCDE. Na comparação com os demais estados brasileiros, o Rio de janeiro ocupa a 2ª posição – a pior colocação do estado entre todos os eixos analisados.

Já no eixo segurança pública, levando em consideração os indicadores de custo da insegurança e de ilegalidade, a perda econômica é estimada em R$ 31,1 bilhões ao ano às empresas fluminenses, frente à média dos países desenvolvidos. Na análise nacional, o estado ocupa a 7ª posição.

“Para aumentar a competitividade das empresas fluminenses precisamos enfrentar esses gargalos com coordenação entre políticas públicas, simplificação tributária, melhoria regulatória, segurança jurídica, ampliação da infraestrutura, fortalecimento institucional e redução das incertezas que afetam decisões empresariais”, reforça o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart.

 
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